sexta-feira, 21 de outubro de 2011

VIVER E SONHAR, VIVER OU SONHAR?


* Juliana Menezes

Indignação, talvez essa seja a palavra que se aproxima do lamaçal em que os brasileiros vivem atualmente na política. Conceitos como o que é uma nação, por exemplo, vêm sendo ignorados e deixados de lado justamente por aqueles que teoricamente (só teoricamente), aparentam estar preparados para governarem nosso país. Por meio de gestos e bocas, nosso ex-líder do senado Antonio Carlos Magalhães mostrou-se um péssimo artista diante do Conselho de Ética do Senado. Em meio a tantas mentiras colocam em estado de putrefação os anseios da população, pois se decompõem as ideias dos que governam e extinguem-se os sonhos da nação.

Embora a instituição senado tenha lá o seu valor, afinal é um lugar nobre e supremo no qual se reúnem membros a fim de discutirem possíveis soluções para os problemas da população, seu corpo de integrantes, sem generalizar, apresenta alguns equívocos. O que diria Platão, filósofo da antiguidade clássica, sobre tal situação? De acordo com este, o mundo é dividido em – mundo das ideias e mundo real, sendo o último reflexo do primeiro. Dessa forma, tudo o que se cria, se pensa ou se imagina e, consequentemente, reflete no mundo real. Pois bem, se é assim, o quê pensam nossos “políticos”? 

O que se percebe muitas vezes é o total despreparo da nação mediante sua principal arma contra a má administração de alguns políticos, em nosso país, isto é, o voto. É claro que enquanto o povo não buscar conhecer, entender e gostar de política teremos, frequentemente, que passar por situações semelhantes a essa. Um bom exemplo disso é aquele cidadão que vai até a farmácia da esquina e ganha o troco a mais, percebe e vai embora. Isso também é roubo, assim não importa a quantia que se apropria de uma outra pessoa e sim o ato em si. Ainda para se ter ideia, na Europa, por exemplo, ninguém é obrigado a votar, pois pressupõe-se que todos queiram a melhoria do país, dessa forma subentende-se que é uma necessidade ir às urnas e não mais uma função, no dia-a-dia agitado que todos temos.

Pessoas que não sonham, digo aqui, no sentido de imaginar, almejar uma conquista, mesmo que essa não tenha no momento uma existência real, anulam o desejo de crescer e amadurecer suas vidas. Consequentemente, quando nossas ideias em relação à melhoria da nação são decompostas e mal tratadas eliminam-se com os nossos sonhos de um dia melhorarmos nossa condição humana. Ignorar os fatos e deixar que a “poeira abaixe” deveria ser um conceito desprezado por todos, a fim de lutarmos por nossos direitos morais de formação pessoal.

A forma de atuação de alguns de nossos governantes deve ser revista, entretanto, o cidadão também necessita vestir a camisa da nação e amar as ideias novas. Conceito abstrato, no entanto, essencial na busca por valores simples e que, efetivamente, faltam em nosso dia-a-dia. Enquanto não formos a busca, essencialmente, dos nossos direitos estaremos sujeitos a estagnação de nossa evolução. O que se pode sugerir é uma busca por informações em relação à política e também levantar arma na proteção de nossos sonhos. Finalmente, é inaceitável ignorarmos a decomposição de nossos mais secretos desejos, pois é a mesma coisa que deixarmos de viver, no sentido amplo do termo, existir – ter vida.

* Juliana Menezes é  prof. Língua Portuguesa, Mestre em Letras e Coordenadora do Ensino Médio do Colégio Drummond de Cianorte

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