Carlos Fernando Priess (*)
Mais uma vez o Vale do Itajaí, se vê abalado com nova enchente, numa repetição do que ocorreu em 1983 e 2008, com reflexos sócio-ambientais em toda região, que não podemos tomar como surpresa, pois sabemos quanto o clima está em mudança no globo terrestre.
A própria natureza tem nos advertido, diante da invasão humana em áreas que precisam ser respeitadas, como é o caso da mata ciliar de nossos rios, mas, continua-se repetindo os mesmos erros.
Precisamos refletir seriamente diante desta nova tragédia, pois, podemos ser surpreendidos por novas enchentes, com mais graves situações, se não procurarmos amenizar os acidentes ambientais em todo o Vale de Itajaí. O mundo está sofrendo transformações.
Entre as providências, que precisam ser tomadas, seria importante, que as autoridades procurassem ouvir, estudar e colocar em prática, o projeto do Professor João Luiz Carvalho, Diretor do Centro de Ciências Tecnológicas da Terra e do Mar da Univali, que defende a tese de modificação na posição dos Molhes da Barra, que formam o canal de acesso, ao Complexo Portuário de Itajaí, tornando-o mais seguro à navegação.
A nossa conhecida Boca da Barra precisa, segundo o Professor João Luiz, ter um maior espaço entre os molhes, para dar vazão suficiente às novas enchentes regionais, que por certo, podem ocorrer.
Os molhes de entrada da Barra foram construídos a partir do início do século passado e concluídos nos anos 30, principalmente com pedras retiradas do desmonte do Morro da Atalaia, assim como dos Morro da Cruz, em Itajaí e das Pedreiras, em Navegantes.
Os molhes foram e são vitais para acesso ao porto, tornando-o seguro a navegação e viabilizando o crescimento das nossas atividades portuárias, além de grande atrativo para a pesca de arremesso, atividades turísticas e de lazer da população e de visitantes.
Outra providência, de extrema importância, é a necessidade dos municípios de Vidal Ramos, Botuverá, Brusque e mesmo Itajaí, de fecharem todas as bocas de esgoto, feitas clandestinamente, ao longo do Rio Itajaí-Mirim. O mesmo ocorre com o Itajaí-Açú, desde a sua nascente, acima de Rio do Sul, no encontro com o Itajaí do Oeste.
Precisamos colocar em prática um plano rigoroso, para reflorestar as margens de nossos rios, diante da degradação das formações ciliares, respeitando a legislação, que torna obrigatória a preservação das mesmas.
A histórica devastação das margens de nossos rios é o que resulta em vários problemas ambientais, com conseqüências de verdadeira tragédia, necessitando de pronta recuperação.
Precisamos levar em conta que as matas ciliares, são como filtros, que além de reter defensivos agrícolas, poluentes e sedimentos que seriam transportados para os cursos d'água, ainda permite uma melhoria na qualidade dos peixes de rios, ajudando em muito a questão das cheias.
O mundo vive uma constante mutação, com terremotos, vulcões e enchentes, além das estúpidas guerras, e somente o ser humano pode reverter melhorar a qualidade de vida, fazendo que novas tragédias não se repitam.
(*) Carlos Fernando Priess é Advogado/Economista – carlos@priess.com.br
ITAJAI – SANTA CATARINA
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