* Luciana Santos
Para promover o desenvolvimento perene da cooperativa é preciso pensar além da vigência e mesmo da vida do seu quadro social presente. Com certeza temos hoje inúmeros exemplos de dedicação e valores que, se disseminados adequadamente, eternizarão seus protagonistas. Isso não pode ficar guardado na gaveta. As boas práticas ganham vida quando multiplicadas, especialmente entre a juventude.
Por entender a importância do jovem para a construção do futuro de nossa sociedade foi que a Organização das Nações Unidas proclamou em agosto do ano passado o início do Ano Internacional da Juventude. Da mesma forma, a Aliança Cooperativa Internacional elegeu o tema “Juventude: futuro do cooperativismo” para o Dia Internacional do Cooperativismo.
A juventude é considerada em falas de todos os setores sociais como “um desafio”. Desafio porque representa a força do desconhecido; desafio pelas mil possibilidades de desenvolvimento que essa faixa da população representa; desafio porque dela depende o futuro daquilo que nos é caro, do mundo com o qual queremos contribuir, do mundo em que nossos filhos e netos viverão.
Nós que vivemos a realidade do mundo cooperativista, somos convictos dos benefícios que proporciona. Entre eles a justa distribuição da renda e a promoção social dos envolvidos, benefícios que temos o dever de disseminar. E o foco é a juventude. É preciso envolver os cooperados e conscientizá-los sobre seu papel, para que todos se disponham a mostrar à juventude local que o cooperativismo é uma alternativa socioeconômica com princípios.
Os cooperativistas de hoje precisam acreditar no potencial da juventude para continuar promovendo a economia voltada para a humanidade, em contraposição à tendência contraditória de submeter a humanidade à sua própria economia.
A proposta da ACI nos convida a olhar a juventude como potencial de desenvolvimento do futuro cooperativista, capaz de diversificar as ideias de desenvolvimento do negócio e promover a sustentabilidade da organização. Ao mesmo tempo, a oferecer esperança àqueles que se identificam com seus princípios, mostrando que não precisam abrir mão deles para sobreviver no mercado.
Só a verdadeira convicção no poder da coletividade é capaz de fazer com que um grupo se abra a envolver novas pessoas e ideias. Quando os verdadeiros cooperativistas enfrentam o desafio de levar à frente os seus princípios, a juventude ganha um caminho que merece ser trilhado, e o conflito entre o grupo e a sobrevivência no mercado passa de monstro do armário a um desafio que vale a pena enfrentar.
* Luciana Santos é analista de projetos sociais do Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo no Estado de São Paulo (Sescoop/SP)
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